Entrevistada: @diario.da.aprendiz
Quem é você hoje e qual concurso foi aprovado?
Meu nome é Karlla Spazapan, sou graduanda do último semestre de Direito na Universidade Federal de Santa Maria e estagiária do Ministério Público Federal. Fui aprovada na OAB ainda no oitavo semestre, com 61 pontos. Decidi fazer a prova da OAB na primeira oportunidade que tive. O edital possibilitou que pessoas do 8º semestre fizessem a prova e eu abracei a chance. Era mais para tirar esse peso das costas o quanto antes, já que queria conquistar essa etapa rapidamente para poder seguir estudando com foco total nos concursos públicos.

No começo, qual foi a maior dificuldade que encontrou?
Quando iniciei a minha preparação, a minha maior dificuldade foi entender o próprio formato da prova: como ela cobra os conteúdos, o estilo das questões, o que realmente vale a pena estudar do edital etc. Como fui a primeira da minha família a cursar Direito e também a primeira entre meus amigos e colegas a fazer a prova da OAB, eu não tinha referências próximas do que esperar. Meu noivo já havia feito a prova, mas na época ainda era a CESPE. Tudo era novo e eu precisei aprender sozinha como a prova funcionava.
Além de estar vivenciando algo totalmente novo, eu ainda não tinha cursado quatro disciplinas que caíam na prova (previdenciário, eleitoral, processo do trabalho e tributário), já que estava apenas no oitavo semestre da faculdade. Isso aumentou o desafio e exigiu que eu compensasse essas lacunas estudando de forma mais direcionada e independente.
E reforço: não ter visto as disciplinas não impossibilitou os meus estudos. Na verdade, me ensinou a ser mais independente nessa busca por materiais e professores, o que tem me ajudado hoje no estudo para concursos.
Como organizava sua rotina semanal de estudos?
Nessa época, eu estava fazendo estágio e cursando 11 disciplinas na faculdade, então minha rotina era extremamente apertada. Durante a semana, eu tinha apenas uma hora por dia para estudar. Aproveitava esse tempo para corrigir, com calma, cada questão das provas antigas que eu resolvia. Já no sábado e no domingo, eu dedicava o dia inteiro para fazer provas completas anteriores. Assim, o fim de semana era focado em simular a prova, e durante a semana eu destrinchava cada erro para entender de onde vinha e como evitar repetir.
Quais materiais você mais usou: PDF, videoaula, livros, questões?
Quanto aos materiais, eu usei principalmente questões e os próprios comentários delas, que muitas vezes traziam macetes e explicações diretas ao ponto. Também utilizei mapas mentais para revisar e busquei PDFs e materiais gratuitos na internet para reforçar especialmente as matérias que eu considerava mais complexas. Além disso, assisti a muitas revisões de véspera, que ajudaram a consolidar o que era mais cobrado.
Na reta final, eu respondia cerca de 30 questões por dia, mantendo um ritmo constante para fixar padrões, revisar erros recorrentes e aumentar minha segurança para a prova.
Minhas revisões eram feitas basicamente com mapas mentais e resolução de questões. Os mapas me ajudavam a visualizar a estrutura das matérias de forma rápida, enquanto as questões reforçavam o conteúdo e mostravam exatamente onde eu ainda precisava melhorar.
Como você lidava com disciplinas mais fracas?
Para lidar com as disciplinas em que eu tinha mais dificuldade, eu simplesmente aumentava o número de questões dessas matérias e retomava a teoria delas quantas vezes fosse necessário. Quanto mais eu praticava, mais eu conseguia identificar padrões, corrigir erros e ganhar segurança.
Qual foi seu método para interpretar estatísticas e acompanhar desempenho?
Para acompanhar meu desempenho, eu usava métodos bem simples, mas eficientes. Na época, eu escrevia em um post-it na capa de cada simulado o número de acertos por disciplina e comparava com os anteriores para ver a evolução. Além disso, utilizava as estatísticas do QConcursos, que me ajudavam a visualizar meu percentual de acertos e entender onde ainda precisava melhorar.
Na segunda fase, meu foco foi total em dominar a estrutura das peças. Fiz muitos esqueletos e resolvi todas as provas antigas de Penal da OAB. Meu objetivo era saber fazer qualquer peça que pudesse aparecer, inclusive aquelas que nunca tinham sido cobradas.
Treinei tanto que acabei decorando os artigos mais utilizados, os termos específicos que garantiam pontuação e aprendi a escrever de forma precisa para cumprir cada item exigido na correção. Afinal, sabemos que a FGV tem uma correção muito específica e até mesmo injusta na maioria das vezes. Também fiz flashcards com os pontos mais importantes de cada peça e revisava todos os dias.
Para a 2ª fase eu escolhi e recomendo muito o cursinho do CEISC, que complementei com o caderno de prática deles. Usei ele inteiro, de capa a capa. O material me deu uma baita segurança para treinar redação, estrutura e fundamentação.
Uma dica essencial para escolher a área da sua segunda fase: escolha a matéria que você realmente gosta, aquela que você não vai se cansar de estudar e assistir aulas por dois meses. Escolher uma área apenas porque parece mais “fácil” é um tiro no pé. Hoje em dia, todas têm o mesmo nível de dificuldade.
Sobre o meu cronograma da primeira fase, eu fazia simulados completos toda semana. Na reta final, intensifiquei bastante: cheguei a fazer até três simulados por semana para aumentar meu condicionamento e trabalhar melhor o controle de tempo. Sempre usei pouco tempo de prova, mas continuei simulando mesmo assim, para pegar a prática de raciocinar cada vez mais rápido.
Na hora de analisar meus erros, eu corrigia alternativa por alternativa. Sempre anotava se uma questão tinha sido chute ou se eu realmente tinha certeza da resposta. Também marcava quais alternativas eu descartava e por quê, para entender exatamente onde estava errando meu raciocínio. Esse processo me ajudou a identificar padrões e evitar repetir falhas, uma vez que as provas costumam repetir muitos assuntos.
Eu senti que estava realmente pronta quando passei a acertar mais de 55 questões em todos os simulados. A partir desse ponto, percebi que tinha constância, domínio das principais matérias e segurança suficiente para enfrentar a prova.
No dia, me surpreendi um pouco em algumas matérias, porque o estilo de cobrança veio diferente do padrão que eu estava acostumada. Acho que isso sempre vai acabar acontecendo, e por isso o ideal é manter a calma e ir respondendo o que você sabe para se tranquilizar. No geral, a prova manteve o mesmo nível de sempre, sem grandes surpresas em termos de dificuldade.
Houve algum momento em que quase desistiu? Como lidou com isso?
Nunca pensei em desistir. Eu tinha uma meta pessoal muito clara: fazer mais de 60 acertos. Estudei com consistência para alcançar esse objetivo, o que me manteve focada durante todo o processo.
O hábito mental que mais me ajudou foi justamente ter essa meta bem definida. Eu não pararia até alcançar essa pontuação nos simulados, e essa determinação guiou toda a minha preparação.
Para equilibrar vida pessoal e estudos, eu me permitia ter momentos de lazer quando estava saturada. E fazia isso sem culpa, porque sabia que uma mente cansada não absorve nada. Sempre que me permitia descansar, voltava com mais energia e mais vontade aos estudos.
Como foi receber a notícia da aprovação?
Quando fui aprovada, receber a notícia foi como tirar um peso enorme das minhas costas. Isso porque alcancei minha meta pessoal, sem utilizar nenhum cursinho (ao menos na primeira fase). Mostrei para mim mesma que sou capaz de conquistar tudo aquilo a que me proponho.
Atualmente, ainda não me formei e por isso ainda não recebi minha carteirinha da OAB, mas sei que ela será fundamental para me garantir os três anos de prática exigidos para o concurso que quero prestar.
Existem ferramentas, sites ou apps que foram essenciais na sua preparação?
Durante esse período, utilizei diversas ferramentas que facilitaram muito a minha preparação. O Estudei foi essencial para organizar meu estudo, e as revisões do CEISC no YouTube me ajudaram bastante na reta final. Também acompanhei canais de professores que oferecem aulas gratuitas.
Além disso, usei muito o QConcursos e aproveitei as provas comentadas da OAB disponibilizadas pelo Estratégia, que foram fundamentais para entender o estilo de cobrança e corrigir meus erros de forma direcionada.
Se eu tivesse que listar três erros clássicos dos concurseiros, seriam:
- Evitar estudar o que não gosta, deixando justamente seus pontos fracos sem reforço.
- Não fazer provas antigas, que são a base para entender o estilo real da banca.
- Não acreditar em si, o que mina a consistência e impede de enxergar a própria evolução.

Que conselho daria a alguém estudando para OAB agora?
Quanto ao maior diferencial entre quem passa e quem “quase passa”, para mim é simples: o sangue nos olhos. A determinação de fazer o que precisa ser feito, mesmo cansado, mesmo com pouco tempo, mesmo sem condições ideais.
Meu conselho é sempre o mesmo: estude para acertar bem mais do que 50%, para não depender da sorte ou de anulações. E jamais deixe de fazer as provas antigas. Elas são o caminho mais direto e mais seguro para a aprovação.