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Quem é você hoje e qual concurso foi aprovado?
Oioi maninhos e maninhas! Eu sou a Thais Andrade, sou graduada em Direito pelo Centro Universitário do Pará desde 2018, ex-estagiária e ex-assessora jurídica da Defensoria Pública do Pará.
Sou de Belém do Pará, a cidade das mangueiras, do açaí de verdade e do melhor tacacá do mundo, e uma nortista apaixonada pela cultura e prazeres dessa parte do país que muita gente não conhece, mas que deveria!
Hoje, “só” estudo e minha vida após a faculdade foi voltada quase integralmente para conseguir ser aprovada no concurso da defensoria pública. Além disso, divido algumas dicas e uma parte da minha trajetória no meu Instagram @defensorathais em que tento democratizar conhecimento e trazer um pouco de leveza a essa trajetória que é sofrida, mas muito recompensadora.
Quanto tempo de estudo levou até a aprovação mais importante?
Foram 6 anos de estudo até minha aprovação na DPE-AC em 10⁰ lugar da Ampla Concorrência (mas fora das vagas imediatas) e 7 anos de estudo até minha aprovação na DPE-PE (ainda no aguardo da colocação final no momento que escrevo esse relato).

O que fez você decidir prestar esse concurso específico?
O começo não foi simples. Tive dificuldade em conciliar lei seca, jurisprudência, questões e doutrina. Entrei num ciclo pesado de depender de videoaulas, depois mergulhei em PDFs que não eram direcionados para DPE e ficava perdida em materiais e metas. Repeti várias “retas finais”, sem consolidar a base. O ponto de virada veio quando fiz o curso de organização de estudos focado na Defensoria. Finalmente aprendi a estudar. Outro momento decisivo foi pedir exoneração do cargo de assessora jurídica; eu não conseguia mais dividir energia entre trabalho e estudo, e isso travava meu progresso.
Como organizava sua rotina semanal de estudos?
Minha rotina de estudos era bem definida. De segunda a sexta, eu estudava seis horas por dia: uma hora de lei seca com duas matérias, três horas de PDFs, jurisprudências por assunto e lei seca do edital, uma hora de leitura de informativos alternando STF e STJ e uma hora de questões aleatórias. Aos sábados, fazia duas horas de lei seca com quatro matérias, duas horas de metas por assunto, trinta minutos de súmulas, trinta minutos de jurisprudência em teses, uma hora de questões e ainda atualizava o meu vade mecum físico. Nos domingos, fazia simulados semanais quando estava com edital aberto; sem edital, fazia simulados quinzenais ou mensais.
Quais materiais você mais usou: PDF, videoaula, livros, questões?
Os materiais que usei foram basicamente PDFs, jurisprudências, informativos, lei seca física e muitos simulados. Eu não tinha meta de quantidade de questões; preferia metas por tempo. As revisões aconteciam naturalmente, conforme eu revisava os quatro pilares repetidamente. Quando precisava fortalecer uma disciplina fraca, simplesmente dedicava mais tempo para ela no ciclo.
Qual foi seu método para interpretar estatísticas e acompanhar desempenho?
Sempre tive acompanhamento das minhas notas, mas não me guiava por percentual de acertos. Eu me guiava pela distância do corte. O corte sempre mostra a vida real. Durante o ciclo de simulados, analisava tudo e montava um caderno só de erros, incluindo alternativas que tinham relevância. Com edital, fazia simulado semanal; sem edital, quinzenal ou mensal.
Em qual momento sentiu que estava realmente competitivo?
Comecei a perceber evolução quando via minha nota de simulado melhorar de forma visível e quando comecei a ficar a três, quatro, cinco questões do corte. Em alguns momentos, o emocional pesou. Eu nunca pensei em desistir, mas duvidei muito de mim. Minha fé segurou tudo. Rezava o terço antes das provas, isso me “desligava” do externo e me deixava firme. Minha família, amigos e noivo foram essenciais. Morávamos em cidades diferentes, mas ele me apoiava de uma forma que me fazia seguir. Quando estava esgotada, desligava o celular por uns dias e depois voltava à rotina.
Como equilibrava vida pessoal e estudos sem perder a cabeça?
Tentei sempre conciliar vida e estudos. Saía muito pouco, mas fazia questão de marcar cafés e jantares. E sempre que dava, estudava ao lado do meu noivo; cada um no seu mundo, mas juntos. A notícia da aprovação foi marcante, principalmente porque a última saiu no dia do meu aniversário. Ainda estou aguardando a nomeação, mas faria absolutamente tudo igual em relação ao método que adotei depois que aprendi a estudar.
Existem ferramentas, sites ou apps que foram essenciais na sua preparação?
Minhas ferramentas preferidas foram o Qconcursos, o buscador do Dizer o Direito, o podcast do Legislação Integrada e o aplicativo StayFree para controlar o uso do celular. Os erros clássicos de quem estuda para concurso, na minha visão, são três: achar que vídeo-aula ou PDF basta, ignorar informativos e não analisar os próprios erros com profundidade. A diferença entre quem passa e quem quase passa está nos detalhes. Quem passa analisa erros; quem quase passa continua num cronograma genérico.
Que conselho daria a alguém estudando para o mesmo concurso agora?
Se eu pudesse deixar um conselho para quem está começando, seria: persevere. Vai doer, vai cansar, vai parecer impossível. Mas o aprovado é só o reprovado que não desistiu. Eu gostaria de ter ouvido no início que é preciso repetir a lei seca quantas vezes forem necessárias, que procrastinar só atrasa aquilo que você mesmo quer, que metas pequenas funcionam, que Pomodoro é valioso, que simulados são obrigatórios e que ter um vade mecum físico muda tudo. E principalmente: não ache que você está errado só porque está fazendo diferente do cursinho. Confie no processo. Sua hora chega.
